30 4 / 2012

"Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão"

Trecho de Como dizia o poeta, Vinicius de Moraes  (via flores-de-dentro)

(Source: canciondelalma, via flores-de-dentro)

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18 4 / 2012

"Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras. Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê. Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar. Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo – e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil. Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e – talvez não admita – sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances. Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência. Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo. E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre. Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar – com o coração aquecido – para o seu lado.Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio. Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho. Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do “e eles viveram felizes para sempre”, namore um cara que lê. Ou, melhor ainda, namore um cara que escreve."

Namore um Cara que Lê    (via trecho-de-livros)

(via trecho-de-livros)

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18 4 / 2012

"Não sei. Sei que eu inexplicavelmente estou na tua e você sabe disso."

Gabito Nunes (via prosa-poesia)

(Source: cool--cool, via prosa-poesia)

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18 4 / 2012

"O que estou dizendo é que também gostei de você, quero dizer, ‘romanticamente’. Não escrevi poemas nem nada disso, mas pensei em você, penso em você até hoje, você e eu. Gostaria de dizer que eu gosto de você."

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16 4 / 2012

"Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos. O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem. Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso. O SORRISO (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso."

José Saramago (via partedopercurso)

(Source: entreversos, via partedopercurso)

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16 4 / 2012

"Assumi a Posição Básica de Defesa da criança vítima de abusos de violência (joelhos contra o peito, braços protegendo a cabeça) enquanto minha mãe agarrava o objeto mais próximo (certo volume pesado sobre fazer amor) e começava a me espancar com ele."

Os Diários de Nick Twisp (via trecho-de-livros)

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16 4 / 2012

"Existem bandidos e mocinhos? Quem sempre diga a verdade, quem nunca minta? Bons e maus governos? Não, existem apenas governos ruins e outros ainda piores. Haverá o clarão de luz e calor rachando a gente de cima a baixo uma noite em que se estiver trepando, cagando, lendo histórias em quadrinhos ou colando selos raros em álbum? A morte instantânea já não constitui nenhuma novidade, muito menos a morte instantânea em massa. Mas aperfeiçoamos o produto; podemos contar com séculos de conhecimento, cultura e descobertas; as bibliotecas estão aí, sempre aumentando, rodeadas e apinhadas de livros; grandes quadros são vendidos por centenas de milhares de dólares; a ciência médica já faz transplantes cardíacos; não dá para se diferenciar um louco de um são aí pelas ruas, e de repente, quando se vê, as nossas vidas dependem mais uma vez, de verdadeiros idiotas."

Charles Bukowski (via partedopercurso)

(Source: companhiadaspalavras, via partedopercurso)

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16 4 / 2012

"Nem sempre a vida está ao nosso lado. Nem sempre o destino dá aquela força. Mas e daí? Hein? Olha pra mim, limpa bem os ouvidos e presta atenção! E d-a-í? Se a gente gosta, se a pessoa nos faz bem…vamos lá, mete a cara, abre o coração, coloca os pensamentos em cima da mesa, joga as emoções ali oh, bem ali e te despe de qualquer tipo de receio ou medo. Sentir medo é comum, sábios são os que sentem medo. Sábios são os que têm a convicção de que precisam aprender muito. Que não sabem, na realidade, nada de nada. Os caminhos estão obscuros, não há luz, o terreno é cheio de pedras e altos e baixos e parece que o universo diz que não é bem por ali. Mas a gente sente que é exatamente por ali. Sabe aquela certeza? Quando ela chegar você saberá. Sim, você saberá do que eu falo, você terá certeza de tudo. Tudo ficará claro, o que era loucura parecerá (e se transformará) na mais pura verdade. O intocável se tornará concreto. O dia se fará noite. O obscuro se tornará um arco-íris. O remédio? Sentir. Só sentir. E não pensar se é certo ou errado ou idiotice ou piração. Mesmo porque sentir é uma piração. Mas é pirando que se sente. Enjoy!"

Clarissa Corrêa. (via anrcc)

(Source: clarissacorrea, via anrcc)

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16 4 / 2012

"Lágrimas não são argumentos."

Machado de Assis. (via anrcc)

(Source: imaturo, via anrcc)

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16 4 / 2012

"Tem dias que é preciso vestir a roupa de adulto e atravessar a rua segurando bem forte a mão da vida."

Clarissa Corrêa. (via anrcc)

(Source: momentos-so-meus, via anrcc)

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16 4 / 2012

"Isso me lembra que não há mais com quem contar, além do tempo. Que ando meio sozinho e assim eu quis, de certa forma."

Gabito Nunes   (via quesejacomofor)

(Source: andamdizendo, via quesejacomofor)

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08 4 / 2012

"O sono, o sono, o sono consome mais que o amor. Vou dormir, que amar tá difícil."

Caio Augusto Leite (via ventodemaio)

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08 4 / 2012

"Ponho os meus olhos em você, se você está. Dona dos meus olhos é você, avião no ar. Um dia pra esses olhos sem te ver é como o chão do mar. Liga o rádio, a pilha e a TV, só pra você escutar a nova música que eu fiz agora. Lá fora a rua vazia chora. Os meus olhos vidram ao te ver, são dois fãs, um par. Pus nos olhos vidros pra poder melhor te enxergar. Luz dos olhos, para anoitecer é só você se afastar. Pinta os lábios para escrever a tua boca em minha. Que a nossa música eu fiz agora. Lá fora a lua irradia a glória. E eu te chamo, eu te peço: vem! Diga que você me quer, porque eu te quero também. Faço as pazes lembrando, passo as tardes tentando lhe telefonar. Cartazes te procurando, aeronaves seguem pousando sem você desembarcar. Pra eu te dar a mão nessa hora, levar as malas pro fusca lá fora. E eu vou guiando, eu te espero, vem! Siga onde vão meus pés, porque eu te sigo também. Eu te amo, eu te peço: vem! Diga que você me quer, porque eu te quero também!"

Luz dos olhos - Nando Reis. (via estrelejar)

(Source: companhiadaspalavras, via estrelejar)

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08 4 / 2012

"Com um sorriso desses você não precisa de olhos…"

A Menina Que Roubava Livros. (via sibilar)

(Source: c-a-n-a-r-i-o, via transbordada)

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08 4 / 2012

"Hoje pensei em partir.
Assim, sem dar adeus, sem escrever bilhetes de despedida, só ir. Deixar pra trás tudo aquilo que antes me foi combustível, que me fazia entrar em chamas só pelo fato de estar perto. Não borrar mais as paredes da rua por onde passo, dos cadernos onde avisto, dos guardanapos em que me distraio, não compor mais canções - nem que as dedique. Não mais fazer poemas esperando a aprovação de bons autores, não mais caminhar em busca a caminhos nunca percorridos por ninguém antes. Não mais me manter de pé para que os me empurram no abismo de dor. Não mais tentar amar em cada passada, ou cada tropeço. Não chorar pelo que nunca vivi, não acordar mais assustada com sonhos que sempre sonhei em ter. Não ser o alguém que nunca veio, ser a ninguém que nunca vai. Não ser acompanhada pelo medo, que me tem como refém. Me jogar no mar, sair de lá morrendo com os pulmões afogados de imensidão, ou nadar, enfrentar a fúria que se transforma em poça d’agua."

Hélida Carvalho. (via estrelejar)

(Source: recantos, via estrelejar)

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